por Fernanda Alcantara [ www.punknet.com.br ]
Chuvinha fina e clima nostálgico no ar. Quem era frequentador do Beco da Bohemia, Casarão Amarelo ou Caxanga há mais ou menos uma década atrás, reencontrou velhas figurinhas que circulavam pelo underground naquele tempo. Hoje, pessoas um bocado diferentes, com mais barriga ou menos cabelo e pelo menos ontem, adolescente no coração.
Namastê Club, uma casa praticamente inédita para a maioria. Eu mesma nunca tinha nem ouvido falar no lugar. Lá a coisa é mais voltada a música eletrônica e Black. Mas a localização é boa, transporte fácil, sem difilcudades para chegar. A casa é realmente anexo ao Jóquei, com estacionamento e cerveja gelada na porta por 2 reais. A casa em si é bem bacana, decorada e de tamanho considerável. Não sei se a vendagem de ingressos foi sold out, mas, para um evento de punkrock underground estava bem cheio. Rodinhas de velhos companheiros, conversavam e se divertiam falando sobre bandas que hoje já não existem mais, extintas casas de shows, personalidades cativas e fatos da cena em outras épocas. A confraria estava reunida para um dos shows mais esperados do ano:sim, era o Face To Face quem comandaria a noite.
Abertura do Stellabella e do Rivets que não assisti, mas dizem que foi bom, que inclusive os integrantes do Rivets estavam com a mesma roupa do último show.
Com uma espera quase insuportável de meia hora, gritos com sotaque latino – provavelmente de zuação – de “Face To Face” foram interropidos pela música “Bob” do NOFX que todos prontamente começaram a cantar junto: “I won’t think about nothing/ Now I gotta do something else”, OI OI OI!”
Trever e cia entraram no palco sob o riff de “Walk The Walk” para nossa natimorte. O set list do show foi basicamente o programado pra tour, nada de diferente – pelo que eu me lembre. “Struggle”, “Ordinary”, “You Lied”, “Blind”, “Velocity”, “Disconnected” e tudo mais que encha um belo prato foi tocado. Destaque é claro para “Pastel” que o Scott brinca de tocar baixo, e o cover do Descendents – versão turbo – “Bikeage” pra fechar a tampa. Uma pena não terem tocado “Sensible” e nenhuma do “Ignorance Is Bliss”. Mas vale dizer que tudo funcionou perfeitamente e as pisadas no pé, os banhos de cerveja, o suor da cabeça aos pés e o choro inevitável de alguns, pouco fazia diferença para quem estava ali para compartilhar o momento. Desconhecidos e conhecidos se abraçavam para “sing along together” e compartilhar desde bebidas até sentimento. Eu mesma abracei gente que eu nunca vi na vida.
Hora de ir embora com a alma lavada e trocar a camiseta molhada por outra seca guardada na mochila, como nos velhos tempos.
Confira algumas fotos, créditos ao amigo Cassolato.